Segunda-feira, Junho 30 ::
:: postado por darren as 16:13
Terça-feira, Junho 24 ::
"Sexualidade e erotismo formam a complexa intersecção de natureza e cultura."
"...o sexo sempre foi cercado de tabu, independentemente de cultura. O sexo é o ponto de contato entre o homem e a natureza, onde a moralidade e as boas intenções caem diante de impulsos primitivos."
"O erotismo é um reino tocaiado por fantasmas. É o lugar além dos confins, ao mesmo tempo amaldiçoado e encantado."
"A teoria do sexo de Spenser é um continuum que vai do normativo ao aberrante. A castidade e o casamento frutífero ocupam um pólo, a partir do qual as modalidades de erotismo vão se tornando mais sombrias à medida que se aproximam do perverso e monstruoso."
[Camille Paglia, em seu livro "Persona Sexuais"]
Mais um fragmento...
"... a cera quente da vela ia pingando... pequenos pingos... caíam sobre os biquinhos dos meus seios... a dor intensa e o prazer mais que intenso... meu peito arfava, minha respiração estava entrecortada pela suposição do que viria... onde cairia o próximo pingo quente, quase fervente? Seria um, seriam dois? Eu não sabia. Estava completamente à mêrce da minha Dona. Confiava nela mas não conhecia os seus limites, nem os meus!
Até onde iríamos? Eu simplesmente não sabia..."
Darren
:: postado por darren as 16:27
Sonho de uma noite de verão
"Quanto mais me bateres, mais te adularei.
Usa-me como animal, despreza-me, castiga-me,
abandone-me, deixe-me; só me dê permissão,
a mim que não tenho valor, para seguir-te.
Que lugar pior posso eu implorar-te
E contudo é uma honra para mim
Do que me usares como um cão?"
William Shakespeare, dramaturgo inglês (1564-1616)
:: postado por darren as 16:04
Fragmentos de uma deliciosa e louca história de D/s, amor BDMS
"...e morna na minha vagina. Passava a língua no meu clitóris, introduzia a língua dentro da minha vagina.Eu rebolava, me contorcia e gemia de desejo, de tesão. Quando ela percebia que eu estava próximo ao gozo, parava um pouco e em seguida recomeçava... Que tortura deliciosa! Sua língua passava alternadamente entre a minha vagina e o meu rabinho que se abria para recebê-la. Ela introduzia a língua nele enquanto um dedo invadia a minha vagina. Isso me alucinava de tesão! Eu pedia outro dedo e novamente ela não me ouvia! Alternando deliciosamente a língua entre o meu rabinho e a minha vagina, ela me virou de bruços, abriu as minhas pernas e se dedicou exclusivamente ao meu rabinho. Passava a língua quente e macia em movimentos circulares e a introduzia... O prazer que isso provocava era indiscritível! Instintivamente eu me coloquei de quatro para receber de maneira total a sua língua. Uma verdadeira delícia! Ela então começou a alternar a língua dentro e um dedo, depois a língua dentro e dois dedos, a língua dentro e três dedos... Ela pegou a minha mão e colocou gel lubrificante e a conduziu até o meu clitóris. Sua mão então começou a levar a minha mão à massageá-lo... Isso era muito gostoso! Eu delirava de prazer. Então ela deixou que eu própria me tocasse enquanto ela continuava a introduzir os dedos e a língua no meu rabinho. Eu me masturbava enquanto ela me penetrava por trás. Me senti completamente preenchida, tomada por algo abrangente... Com movimentos de vai e vem atrás e meus dedos esfregando o meu clitóris, tive alguns orgasmos... Os maiores, mais intensos e mais deliciosos da minha vida. Tive a sensação de me desintegrar e aos poucos fui recobrando a consciência do meu corpo físico, voltei a perceber a minha respiração, meus acelerados batimentos cardíacos..."
Darren
:: postado por darren as 11:11
Bondage - O que é ?
Bondage em inglês Ou figottage em francês é a arte não violenta de amarrar o parceiro - não para dominar a relutância, mas para incrementar o orgasmo. É uma técnica sexual não programada, que muitas pessoas acham extremamente excitante mas têm medo de tentar, e um expediente humano respeitável para aumentar as sensações sexuais em parte porque é uma expressão inofensiva da agressividade sexual - algo de que necessitamos imensamente, devido aos preconceitos da nossa cultura neste campo - mas, mais ainda, por causa dos seus efeitos físicos: um orgasmo lento em situação de imobilidade forçada é uma experiência inesquecível para aqueles que o tentam sem medo da própria agressividade.
"Qualquer imposição à atividade muscular e emocional tende normalmente a aumentar o estado de excitação sexual", nas palavras de Havelock Ellis. Os homens e as mulheres sempre se excitaram com a idéia de obter o máximo uns dos outros e a "imobilização erótica" foi sempre um excitante apreciado qualquer herói ou heroína populares que se prezem são amarrados periodicamente pelos pés e mãos, a fim de poderem ser posteriormente resgatados. Num casamento berbere o padrinho amarra a noiva se ela se debater tentando escapar, e é o que tradicionalmente ela deve fazer... para ser amarrada. Fantasias deste tipo são freqüentes na literatura pornográfica escrita e ilustrada (na sua maior parte são absolutamente impraticáveis e dirigidas à retina e não à inteligência do leitor) que age corno um escape para as pessoas que têm problemas de agressividade ou precisam de um simulacro de violação para poderem ir para a cama e ter prazer sem sentir culpa. A maioria das pessoas têm vestígios destas necessidades e gostam de dominar simbolicamente umas às outras de vez em quando, ou até de se sentir dominadas (sem ofensa para o Movimento de Libertação Feminina, dado que esta necessidade é mútua). Mas os jogos de imobilização são praticados por muitos amantes sérios que desejam sensações e não sucedâneos, preenchendo assim muitas lacunas importantes. Isto exige uma certa aprendizagem (os primeiros esforços freqüentemente são penosos ou estéreis ou até inutilizam uma ereção por falta de jeito) mas com rapidez e habilidade, muitas pessoas, surpreendentemente, os recomendam para serem praticados ocasionalmente - se não por outras razões, pelo menos porque uma masturbação lenta e realmente bem executada não é possível sem que o parceiro esteja bem amarrado.
Com efeito, uma imobilização verdadeiramente hábil produz resultados sensacionais, do ponto de vista sexual, na maior parte dos homens que não sejam tímidos, quer dando, quer recebendo (como, aliás, qualquer outra técnica que envolva estímulo e simbolismo, o "prisioneiro" sexual bem amarrado não só parece, mas também se sente sexy) - e numa proporção respeitável de mulheres, uma vez que tenham aceitado a idéia; as pessoas que potencialmente poderiam reagir bem a este método podem necessitar de uma preparação cuidadosa, no caso de recearem o seu simbolismo agressivo, mas este tipo de fantasia apenas atemoriza as pessoas cuja concepção de ternura é... terna demais. Algumas mulheres de vez em quando precisam se sentir dominadas. Outras gostam dos símbolos de domínio e preferem ser agressivas desde o início. Deve-se amarrar o outro pelos pés e pelas mãos, firme mas confortavelmente, de modo que ele possa se mexer tanto quanto quiser sem se soltar e, depois, levá-lo ao orgasmo. Além de ser uma sensação sexual excitante, permite a muitas pessoas (que não o conseguem de outra maneira) o descontrole total. Pode ser que berrem no momento crítico, mas vão gostar muito (a habilidade, aqui, reside em distinguir os ruídos que exprimem mal-estar - pulsos torcidos, cãibras ou outras dores - e as manifestações normais do êxtase; os primeiros significam "Pare já" e os outros "Continue, pelo amor de Deus, e faça-me acabar").
Jogos deste tipo são um extra ocasional e opcional de todas as formas de atividade sexual e de cópula, já que o amante amarrado pode ser beijado, masturbado, montado ou simplesmente acariciado até o orgasmo; mas são muito adequados às sensações intensas e quase insuportáveis produzidas pelas carícias manuais lentas e hábeis, tanto no homem corno na mulher. A prisão dá ao amante passivo algo de muscular para fazer, enquanto fica incapaz de alterar o curso dos acontecimentos ou o ritmo e velocidade da estimulação (a que Theodor Reik chamava o "fator de suspense") e permite ao amante ativo levar a mulher, pelo menos, a "alturas" estonteantes (esta pode, quando chegar a sua vez, enlouquecê-lo, demorando ainda mais o processo).
Os amantes experimentados e audaciosos descobrirão logo o contexto adequado à imobilização. Esta surge naturalmente no tipo de batalhas amorosas - tão ao gosto de certas pessoas dinâmicas - em que a mulher finge resistência; no fim, ou ele lhe torce um braço atrás das costas, a amarra e continua com ela dominada - ou então, ela ainda resiste quando ' o cronômetro toca e ela adquire o direito de amarrá-lo. Também se pode fazê-lo com menos violência e sortear ou jogar "prenda" - de qualquer modo, deve-se fazer por turnos. Outro contexto, para os que fazem jogo de adultos, é simplesmente determinado pelo impulso. Um ou outro pede ou diz: "agora é a minha vez", ou o parceiro de espírito mais empreendedor começa e realiza as suas aspirações.
Pode ser que ele acorde e descubra que ela o virou e que está acabando de lhe amarrar os pulsos; então, já é tarde demais para protestar (algumas mulheres conseguem ir mais longe com um homem de sono pesado). Ou ele pode pegá-la de emboscada quando, vulnerável, ela estiver voltando do chuveiro.
Para que isto funcione como jogo, é evidente que deve sei efetivo, mas não doloroso ou perigoso. Vale a pena gastar algumas palavras com a técnica a ser empregada, visto se tratar de uma fantasia sexual muito popular, ainda que não incluída nos livros puritanos sobre sexo; uma certa habilidade e cuidado são necessários. Amarra-se um dos parceiros em qualquer cama com atro colunas, pondo-se uma ou mais almofadas por baixo dele. este o método típico dos bordéis, talvez porque não requeira habilidade. Levado a este ponto, inibe os orgasmos de algumas pessoas - algumas preferem ficar com as pernas abertas, mas com os pulsos e cotovelos atrás das costas, ou ser amarradas a uma cadeira ou ficar de pé amarradas a uma coluna. As áreas Chave em que a prisão aumenta a sensibilidade sexual são os Pulsos, tornozelos (não tentem encostá-los atrás das costas à força), sola dos pés, polegares e dedos dos pés (as mulheres experientes param no meio das carícias e amarram estes dois últimos com uma tira de couro - se duvidam, experimentem). Há (divergências de gosto quanto ao que se deve usar para amarrar. Pondo de lado esquisitices como camisas-de-força ou ligas de escoteiro, há casais que usam tiras de couro ou borracha, fitas de pano, cordões de pijama, laços e até corda macia e grossa. As fitas são o mais prático para mulheres frágeis ou que não saibam dar nós de marinheiro. Devem ter orifícios de centímetro em centímetro. Os lenços triangulares servem para amarrar pés e mãos rapidamente, mas não são muito sexy - e o bom aspecto e o fato de estar bem amarrado é que tornam o "embrulho" atraente para o participante ativo. As meias velhas são um recurso comum, mas numa emergência, é difícil desamarrá-las. Correntes, algemas, etc, são meios rápidos, mas não exercem pressão e machucam quando ficam por baixo. Os aparelhos estranhos vendidos pelos fabricantes de brinquedos para adultos são "para inglês ver", a não ser que só sejam utilizados para fotografias. Se gostarem deles, faça um. Para a maior parte dos casais, um pedaço de corda de varal serve perfeitamente. Cortem-na em cinco ou seis pedaços, de metro e vinte e dois ou três de um metro e oitenta e dêem-lhe várias voltas apertadas - mas sempre com cuidado, para não machucar.
Algumas pessoas mais enérgicas gostam também de ser amordaçadas. Como uma senhora disse "mantém o gás do champanhe". Amordaçar e ser amordaçado excita muitos homens - a maioria das mulheres diz que não gosta, mas a expressão de espanto erótico na cara de uma mulher bem amordaçada, quando descobre que só pode "mugir", é irresistível para os instintos de violação do homem. Além do simbolismo e da "sensação de desamparo", permite à vítima gritar e morder durante o orgasmo, sem se preocupar em se controlar, o que só poderia fazer sem a mordaça se possuísse uma cabana isolada ou dispusesse de um quarto à prova de som. Torna o dirigismo impossível, de maneira que as iniciativas do seu amante estão fora do seu controle. A maior parte dos homens que se excitam com isto gostam de ser completamente silenciados. As mulheres ousadas acabam gostando disto após algumas tentativas, se forem do tipo que morde ou se gostarem de se sentir "desamparadas" - outras detestam este método e não conseguem o orgasmo. Algumas gostam que seus olhos sejam vendados além de ou em vez de serem amordaçadas.
Mas é difícil amordaçar alguém com uma segurança de cem por cento, exceto nos filmes em que um pedacinho de seda sobre a boca da heroína permite que o herói passe a seu lado, sem ouvi-Ia. Também o "prisioneiro" nunca deve ficar em situação de não poder indicar algo de errado que esteja acontecendo. Um pedaço de pano comprido, que dê várias Voltas, bem colocado entre os dentes, ou uma bolinha de borracha fixada no meio de uma fita de três centímetros de largura por um parafuso e porca (a "poire" tradicional dos bordéis franceses) são suficientes. A fita adesiva silencia quem quer que seja, mas é dificílima de tirar. Tudo o que se usar deve ser firme, não interferir com a respiração e ser fácil de tirar se alguma coisa correr mal para o "prisioneiro": se ele sufocar, se sentir mal ou qualquer outra situação de desconforto. Os sinais (isto se aplica a todos os jogos de imobilização) devem ser combinados de antemão e nunca se deve abusar deles ou ignorá-los - a sanção do seu uso ilícito pode ser, por exemplo, ter que "sofrer" mais dois orgasmos amarrado. Um grunhido em código Morse ou sinais como os usados em leilões são boas escolhas. O Código Federal de Segurança deve ser respeitado e colocado bem à vista, no quarto. Reza o seguinte:
1 - Nada pode ser amarrado em volta da parte anterior do pescoço do outro, ainda que sem apertar, e mesmo que seja a seu pedido.
2 - Nada que seja macio ou solto que possa ser engolido, ou qualquer outra coisa não especificada, pode ser enfiado na boca do outro, ou colocado no seu rosto, e qualquer mordaça ou nó. deve desatar-se facilmente.
3 - Ninguém deve ser abandonado sem ajuda, mesmo que por pouco tempo, especialmente de bruços ou numa superfície macia como a de uma cama. Não adormeçam sem primeiro desatar o amante, sobretudo se tiverem bebido. Não mantenham ninguém amarrado mais de meia hora.
4 - Pratiquem jogos de imobilização apenas com pessoas que conheçam, não só social mas também sexualmente; nunca um conhecimento ocasional, e tenham cuidado com os jogos de grupo. Isto se aplica tanto a casais como a todos os amantes em geral - algumas pessoas são pouco cuidadosas e outras sádicas.
Além de tudo isto, qualquer tipo de crueldade como amarrar alguém que tenha medo mesmo, cordas apertadas, meter coisas pela boca das pessoas, truques idiotas como pendurar alguém por qualquer parte do corpo e toda a rotina Sadie-Mae é simplesmente dolorosa e inibidora para qualquer casal sério e pertence à psicopatologia e não ao sexo. A imobilização como jogo sexual agradável nunca é dolorosa nem perigosa. Pode, claro, ser praticada apenas pela sua agressividade simbólica, mas pelo menos metade da recompensa diretamente física das pessoas que a praticam (e há muitas) reside no fato de a pessoa amarrada ter de lutar contra a prisão e nas sensações epidérmicas e musculares, alem da liberação de certos bloqueios infantis, pelo fato de terem prazer de qualquer maneira. Também ajuda a superação do nosso tabu cultural referente às sensações extragenitais intensas, que pertence ao mesmo tipo de bloqueios. Se tiverem cuidado, as marcas das cordas desaparecem em poucas horas. Queimaduras e hematomas provocados por cordas são conseqüência de falta de jeito - deve-se também ser rápido ao tirar as cordas de modo que o homem não fique tolhido por ter continuado "preso" depois do orgasmo e a mulher possa "voltar à terra" confortavelmente abraçada ao amante. Você pode ser agradável, adequada e simbolicamente impetuoso, qualquer que seja o sexo, sem se tornar mau nem desajeitado, estragando tudo. A receita certa, aqui como em toda a atividade sexual, é violência e ternura em proporções iguais. Se não se consegue "sentir" a medida exata de violência que o amante aprecia, é preciso lhe perguntar e tirar vinte por cento, desconto justificado pela diferença entre realidade e fantasia. Qualquer casal que aprecie o amor violento e goste desta idéia, desde que siga as regras, não perderá nada em aprender a executar a técnica de imobilização suave, rápida e eficientemente. isto não é esquisito nem assustador, mas apenas humano. Quanto à píèce de restante que acompanha a imobilização, isto é, a masturbação lenta, ver item com esse nome.
[Autor : Alex Confort (Livro - Os prazeres do Sexo)]
Darren
:: postado por darren as 10:19
Segunda-feira, Junho 23 ::
AMOR & BDSM
O título está bem exposto? Seria amor e BDSM ou BDSM e amor? Pode parecer a mesma coisa, mas não é. No assunto em pauta, a ordem dos fatores ALTERA o produto. Ou seja, se o amor vem antes do BDSM, então tal relacionamento perdoem-me os que discordam pode estar malfadado ao fracasso.
Explico:
Nos relacionamentos baunilha, geralmente o amor vem antes do sexo. Como ? Primeiro se conhece a cara metade, trava-se a amizade e o entendimento, namora-se, conquista-se, sai-se de mãos dadas, janta-se fora, vai-se ao cinema, manda-se rosas e bombons, troca-se juras de amor, promete-se casamento (com os dedos cruzados né ?), conhece-se a família do outro, etc... (não necessariamente nesta ordem e felizmente não necessariamente TODOS estes atos elencados....), enfim, pratica-se uma série de procedimentos e atitudes que se intitulariam conquista ou sedução que se iniciariam desde a paquera e a troca de telefones até o surgimento do Amor.... Amor ? Que amor ?... Ora, o amor consequente dos comportamentos acima e para os quais o mesmo foi direcionado. O velho, famoso e meloso amor baunilha que bem conhecemos e que estampam desde belos poemas e contos até folhetins e novelas. Seja em maior ou menor intensidade, sincero ou ilusório. pretenso ou gratuito.
Assim, como conseqüência e evolução deste amor, surgiria o sexo entre o casal, seja mediante a tática caricato-cafajeste do cobrar uma prova de amor, seja pela assunção daquele famoso pensamento feminino do Eu o amo, então posso me entregar, porque não vou transar, vou fazer amor.
Ironias e sarcasmos a parte, pode parecer que esta minha narrativa remonta-se a um relacionamento amoroso do século passado, mas admitamos até hoje as coisas se processam desta forma, seja em maior ou menor intensidade, pois, até hoje, são poucas as mulheres que conseguem o que a maioria dos homens conseguem: fazer sexo sem nenhum sentimento maior.
E por favor, quando falo em amor como prerrogativa no sexo baunilha, não precisamos exagerar e chegar naquele sentimento insano que mal cabe dentro de nós. Podemos apenas nos referir a uma atração maior, um sentimento, uma admiração, uma paixão...
Mas onde quero chegar? Suponhamos que, exatamente por este amor - surgido de relacionamento, procedimentos e causas baunilha - um dos membros do casal acaba por aceitar ter uma relação BDSM. Não por seu interesse nesta prática e nem mesmo por uma mera curiosidade em descobrir se tem dom para o D/s ou S&M. Mas sim E APENAS para agradar seu parceiro. Este sim amante da pratica BDSM. Desta forma, a relação BDSM entre os dois teria nascido do amor baunilha e teve em si a causa (ou desculpa) para sua prática.... Lembram-se da minha idéia do São, Seguro, Consensual e Honesto? Teríamos aí um relacionamento que explicitamente não é honesto, uma vez que uma das partes não estaria praticando o BDSM PELO PRAZER DO BDSM e sim por amor, e o que é mais grave, por um amor baunilha.
Isso ocorre muito quando um dos membros do casal se agrada do BDSM e o outro não, ou até desconhece tal fantasia. Assim, o primeiro, convenceria o segundo a experimentar e praticar o BDSM, não em busca do prazer, de uma nova experiência ou da descoberta de seu dom como sub ou mesmo como Domme, mas sim como uma prova de ou em nome do amor (mais uma vez lembro: amor baunilha).
Estaríamos aí diante do maior exemplo de transa apimentada e intenções excusas no BDSM. Mesmo porque, convenhamos, este amor nada tem a ver com BDSM, em nada o ajuda, não tem com ele cumplicidade, a atitude do convencedor foi sem dúvida cafajeste e não existiria aí qualquer honestidade do ponto de vista do surgimento de uma relação verdadeiramente BDSM. Pode ser até que a parte convencida acabe por se agradar do BDSM. Mas isso não abonaria a conduta com a qual a mesma foi encaminhada a este universo.
Num grau ainda mais elevado de falta de honestidade, teríamos aquela pessoa que, amando a outra e em nome deste amor ou por medo de perder sua cara metade, aceita e se empenha em praticar o BDSM para conquistar o amor de quem ama, numa atitude, diga-se de passagem, ineficiente, porque o amor que esta pessoa quer é o baunilha e o amor que pode com muito esforço e dissimulação conseguir, é o AMOR BDSM.
Em suma, ela não procura um Mestre, um dominador ou um dono. Ela procura um namorado, uma paixão para suprir suas carências afetivas, e imagina que o BDSM seja um bom caminho para isso.... Ledo engano.
Mas... então não existe amor no BDSM? Nunca? Nem depois de uma relação consolidada nos mais honestos parâmetros de envolvimento?
Aí chegamos à outra forma de ligação do BDSM com o amor. Ou seja, o Amor DEPOIS do BDSM. Aquele amor que surge NO BDSM e que eu intitularia de AMOR BDSM .
Tem radicais que dizem não existir o mesmo... Coitados, não sabem o que estão perdendo!
... Será que não sabem mesmo? Será que o que existe aí não é um imenso tabu que proíbe ou inibe a exibição e assunção deste amor? Se perguntarmos à maioria destes céticos o que sentem por seus parceiros de maior constância e longa data e relacionamento no BDSM, e se eles respondessem com sinceridade e exaustão, impreterivelmente discorreriam uma série de sentimentos, comportamentos, atrações e admirações que só poderiam ser traduzidas numa única palavra: Amor.
Será que o preconceito e o medo de envolvimento não os deixa ver que o sentimento que alguns tentam (as vezes inutilmente) sufocar não é um amor baunilha, mas sim um amor legitimamente BDSM? Será que julgam que amar torna o Mestre mais frágil ou a escrava mais exigente?
Realmente, numa relação bate/apanha libertina¿ pode ser menos comum surgir tal sentimento (estou sendo radical? Desculpem-me.). Mas no outro pólo do BDSM, na relação 24/7, dá para se imaginar estar existindo em sua plenitude sem que surja ou exista um amor honesta e legitimamente BDSM ?... Bem... como extremos são sempre mais fáceis de ser analisados, fiquemos na média. Ou seja, no relacionamento D/s mais comum e mais básico, os quais - acredito - ainda são a maioria.
Mesmo nele, o verdadeiro, honesto e honrado relacionamento BDSM é algo muito complexo. O nível de envolvimento, de cumplicidade, de respeito, dedicação, amizade, libido, atração, convívio, confiança, entrega, segurança, caráter, honra e outros que surgem, se desenvolvem e solidificam é tão imenso que é IMPOSSÍVEL imaginar que com tudo isso não possa naturalmente surgir um sentimento mais forte. Dá para imaginar numa relação baunilha incluir com intensidade tudo o que elenquei acima e que são premissas básicas numa relação BDSM honesta? Iria ser um Amor que novela mexicana nenhuma conseguiria conceber.
Logo, como imaginar que num relacionamento onde exista com tamanha intensidade todas estas qualidades de caráter e relacionamento, os praticantes possam se manter imunes ao surgimento de um sentimento maior que só poderíamos denominar de amor? Impossível não? Ou no mínimo IMATURO.
Sim, Imaturo. Porque um sentimento tão imenso e lindo, surgido honesta e naturalmente consequente desta relação legitimamente BDSM, o verdadeiro Amor BDSM, acabaria por ser evitado, sufocado e ignorado pelos praticantes. E em nome de que? Porque?
A escrava por julgar que não pode almejar nem muito menos cobrar de seu Mestre um comportamento e consideração por ela por vezes mais amoroso e romântico ou até mesmo com medo que o seu amor não seja correspondido ou, pior, tendo vergonha e receio de expor o mesmo por julgar que seu Mestre não irá se agradar dele, abominá-lo ou julgar seu comportamento baunilha ou desonesto.
O Mestre por outro lado, sufocando o surgimento ou exposição deste sentimento por medo que a conseqüência dele seja um romantismo, um carinho, uma sensibilidade e um comportamento com sua escrava que poderia acabar sendo encarado de incompativelmente baunilha, "derretimento do Mestre banana" ou até "perda de pulso".
Já imaginaram isso acontecendo com ambos na relação ao mesmo tempo? Que desperdício, não? Ao que os tabus e preconceitos nos levam... tsc tsc...
Este amor que surge no BDSM, É BDSM. É legitimamente BDSM. E deve ser cultivado, ampliado, respeitado e compartilhado pelos praticantes dessa nossa maravilhosa fantasia/ideal de vida, que deveriam ter orgulho de ter dentro de si tal sentimento que só demonstra a sensibilidade, a cumplicidade e a intensidade que deve reinar sempre em qualquer relação honesta e assumidamente BDSM.
Ele não encaminha os praticantes ao baunilha, nem enfraquece suas posições e práticas D/s ou S&M. Ao contrário. Por vezes até as solidifica, amplia e enaltece. Então, porque evitar, esconder, sufocar, renegar ou se envergonhar de amar no BDSM ?
Concluindo, existe amor no BDSM sim. E muito. Afinal, o Mestre não é um Monolito frio e insensível para conseguir manter-se alheio e inexpugnável a tudo de especial que sua sub lhe oferece e nem esta um ser acéfalo e desprovido de sentimentos senão o respeito e dedicação ao seu Dono.
Em suma, nunca faça-se BDSM por amor. Mas ame-se, e ame-se muito, assumindo-se sem vergonha ou medos esse amor que surge no BDSM.
Jot@SM
http://mestrejotasm.com.br
Darren
:: postado por darren as 16:49