Quinta-feira, Agosto 14 ::
Eu, submissa de mim
Existem em mim duas mulheres:
uma que é razão, a outra pura emoção.
A mente pensa, a carne pondera;
a mente reage, a carne vence a razão.
Quisera ser dominada pela lógica,
tão boa conselheira. Mas não!
A carne fala mais alto, grita o coração!
Num duelo sanguinário corpo e mente
se combatem e mesmo sendo certo
o sofrimento, a razão dá lugar a emoção
e sempre eu me arraso!
Darren
:: postado por darren as 23:43
Absinto
Livre, liberta me sinto
para pensar em outros açoites,
outras mãos.
No meu egoísmo eu não percebia
a sua impossibilidade, o seu limite.
Livre me sinto para pensar
em outros comandos,
outros mandos, outros toques,
outras possibilidades,
transformações da verdade.
Livre me sinto para me ter
livre de mim!
Darren
:: postado por darren as 23:34
Uma história...
Como Lia poderia esquecer Renata? Como apagaria da sua mente e retiraria do seu corpo todas aquelas deliciosas impressões? Como não desejar aquelas mãos, aquele toque, aquela boca, aquele corpo? Simplesmente não podia... Num belo dia, no dia mais belo do ano para Lia, no dia do seu aniversário, ela conheceu a pessoa que quebraria todos os seus paradigmas, abriria a sua caixinha de Pandora e a viraria pelo avesso. Renata, esse é o nome da pessoa que à primeira vista dificilmente Lia prestaria atenção. Renata tinha formas arredondadas, seios fartos, cabelos compridos, um ar feminino. Lia até então só havia se relacionado com tipos masculinos, cabelos curtíssimos, um ar andrógino. Eram os tipos que lhe chamavam atenção. Mas com Renata aconteceu... Primeiro contato. Renata respondeu a um anúncio que Lia havia colocado num site de relacionamentos. Na verdade Lia não estava procurando ninguém. Recebeu algumas respostas e entrou em contato com as pessoas agradecendo de forma educada mas não deixando margem para continuidade. Mas Renata enviou um segundo email no qual dizia ter incluído Lia no seu comunicador on line. Quando Lia leu, sorriu. E então lhe ocorreu que Renata poderia na verdade ser sua ex namorada e por esse motivo deu continuidade a correspondência. Passaram-se alguns dias e num desses finais de semana leve, onde Lia não tinha compromisso com nada que não fosse leve, conectou o tal comunicador e esperou por Renata enquanto lia os jornais. Esperou uma hora e nada. Então resolveu esperar mais um pouco e Renata não apareceu. Pelo horário a desconfiança de Lia cresceu. Sua ex namorada nunca acessava a Internet aquelas horas. Nesse horário ela ainda estava trabalhando. Bingo, pensou Lia, estou certa! Resolveu deixar o computador ligado e o programinha aberto. Na hora certa ela apareceria, Lia tinha certeza. Foi deitar-se para relaxar. Não demorou muito e o barulhinho característico de quando alguém entra soou. Lia levantou-se e sentou-se em frente ao computador. "Oi!" As letrinhas iam aparecendo na telinha. A conversa fluiu e Renata fazia perguntas muito pessoais para Lia. Isso aumentava em muito a certeza de Lia, de que se tratava da ex namorada. Lia irritava-se. Em certo momento Lia perguntou o nome dela e antes que ela respondesse Lia escreveu o nome da ex namorada. Renata desculpou-se e garantiu não ser esta pessoa. Mas isso não foi suficiente para Lia e ela pediu o número do celular de Renata, dizendo-lhe que ligaria mas que ela se mantivesse conectada ao comunicador. Renata prontamente forneceu o número do seu celular e Lia num impulso imediato ligou... E... estava comprovado o equívoco. Renata realmente era Renata! Conversaram um pouco, Lia se desculpou pelo equívoco. A voz de Renata era doce e firme. Isto encantou e seduziu Lia. Desligaram o telefone e voltaram ao comunicador. Mas a conversa não teve a mesma graça. Lia queria ouvir novamente aquela voz. Precisava ouvir novamente aquela voz firme e doce. Renata tinha a mesma necessidade. Renata pediu o número do telefone fixo de Lia. Lia dissera-lhe que preferia que Renata desse o dela, no que foi prontamente atendida. Num impulso enquanto Renata digitava o seu número, Lia fez o mesmo. Estava criado o primeiro vínculo: confiança. Grande paradoxo, embora a bem da verdade Lia não deixou de confiar em Renata, apenas acreditava que ela fosse sua ex namorada se passando por outra pessoa. Conversaramsobre diversos assuntos e Lia estava cada vez mais encantada por Renata. A conversa fluiu e quando perceberam estavam conversando sobre sexo. Renata dizia que era ativa e que se interessava por mulheres mais velhas do que ela. Em parte combinavam, eram exatos opostos, Lia era passiva mas nunca havia se relacionado com alguém mais novo que ela. Ops! Isto era um problema para Lia. Ela é mais jovem, em sua descrição dissera ter cabelos longos... Ai..ai.., pensou Lia. Mas aquela voz, o modo como falava, suas colocações sobre os diversos assuntos abordados naquela deliciosa conversa... Lia estava seduzida! Cada vez que se recordava dos "problemas", eles iam se minimizando frente aquele modo firme e doce de falar. Falaram sobre relacionamentos amorosos, preferências sexuais, o que esperavam de um relacionamento. Perfeito! Eram o exato oposto. Renata dissera-lhe que era 95% ativa. Lia não sabia exatamente o que isso significava mas... Tudo bem! Não deveria ser nada demais, pensou. Lia estava excitada com a conversa, ela desejava Renata e a recíproca era verdadeira. Lia queria estar nos seus braços naquele momento. Fechava os olhos e imaginava Renata. Renata dizia que a estava tocando e pedia que ela fechasse os olhos e sentisse. Lia obedecia e ficava cada vez mais excitada, mais molhada. "Está sentindo? Sou eu te tocando..." dizia Renata.Como que embriagada de desejo, Lia levava a mão ao sexo e o tocava de leve... O ser racional de Lia a advertia de que aquilo não era correto, afinal ela não conhecia Renata, era uma estranha! Mas que nada! A emoção daquele momento mágico era maior e Lia se entregava cada vez mais ao que ouvia e simplesmente obedecia aos comandos de Renata. E quanto mais ela pronunciava palavras como "Sou eu te tocando..." mais Lia ficava excitada e realmente sentia como se outra pessoa a tocasse, tocasse deliciosamente o seu sexo molhado de desejo. E assim explodiram simultaneamente num intenso e delicioso orgasmo. Loucura um gozo tão intenso e em tais circunstâncias. Lia não pôde se furtar a este prazer, a este momento. A razão não existiu. Renata a seduzia, encantava. Lia sentiu algo inusitado e nunca antes experimentado. Tudo muito novo, muito intenso, irresistível. A novidade não era o sexo por telefone, isto não. Mas fazer sexo ao telefone com alguém desconhecido mas estranhamente reconhecido pelo desejo, pela libido, pela carne de Lia. Não existia uma imagem. O que existia era uma voz maravilhosa e um comando. Renata comandava e seduzia Lia que lhe obedecia da forma mais submissa. Após o gozo conversaram. Lia estava entre surpresa e até mesmo envergonhada por seu comportamento inédito. Mas não pôde evitar. Enquanto o seu racional ponderava, o emocional primitivo se libertava. Após conversarem sobre o assunto nada mais restou senão o bem estar, um confortável bem estar e a impressão de que teriam outros deliciosos momentos como aquele. E não se enganaram. Passados dois dias estavam frente à frente. Lia sugeriu o encontro logo pela manhã, um dia após ter recebido suas fotos pela Internet. No dia seguinte ao encontro virtual e telefônico trocaram fotografias via Internet. Lia aparecia sozinha nas fotos que enviou para Renata mas Renata enviou-lhe fotos nas quais estava acompanhada. Isto irritou Lia que não deixou de escrever-lhe observando o fato dela estar acompanhada nas fotos. Renata disse de forma divertida que estas eram suas melhores fotos por isso as enviou mesmo estando acompanhada. Lia sentiu ciúmes e isso a perturbou. Era atípico, normalmente não era ciumenta. Após ver as fotos, ver a imagem daquela pessoa que havia lhe proporcionado tanto prazer, sentiu um desejo enorme de tocá-la, sentir a textura da sua pele, olhar nos olhos. Ao chegar em casa, Lia automaticamente começou a pensar em Renata. Pensou na sua voz, na sua imagem, nas sensações que ela havia provocado. O telefone tocou. Lia atendeu e era Renata, aquela voz firme, doce e sedutora. Mais uma vez Lia fechou os olhos e obedeceu aos comandos de Renata e desta forma se tocou muito gostoso ao som de "Sou eu te tocando..." "Sou eu te fodendo gostoso.." "É minha língua na sua bucetinha..."
E o gozo veio intenso, molhando ainda mais... Por isto a urgência em vê-la pessoalmente, a urgência em tocar aquele ser tão especial que a encantava. O encontro durou alguns minutos, tempo suficiente para tocarem mutuamente as mãos, olharem nos olhos e saberem que se queriam muito. Estavam em horário de expediente e não poderiam demorar. Combinaram um novo encontro para dali a dois dias, véspera do aniversário de Lia. Renata pediu-lhe isto como um presente. Lia deixou claro que não iriam transar pois segundo os seus tabus ela não ia para cama com alguém no primeiro encontro. Renata sorriu e disse-lhe que se acontecesse não seria no primeiro encontro mas no segundo pois o primeiro encontro já havia acontecido. Espertinha, disse-lhe Lia, o primeiro encontro não foi exatamente um encontro! Na hora combinada finalmente se encontraram. Finalmente porque foi difícil para ambas pensar em qualquer outra coisa naquele dia. Estar perto de Renata era agradável para Lia. Ela usava um perfume discreto, amadeirado, fresco. Trocaram um beijo demorado, tocavam as mãos enquanto Renata dirigia tentando sair do congestionamento. Renata queria estar sozinha com Lia e por mais que Lia tentasse verbalizar que era muito cedo o seu corpo dizia que era mais que chegada a hora e Renata percebendo e desejando o mesmo, rumou para um motel. Chegando ao quarto Lia foi arrebatada pelos braços de Renata que a envolveu pela cintura enquanto suas bocas ávidas se encontravam num beijo quente, molhado, doce, firme, mordido. Seus corpos bem juntinhos, os braços firmes de Renata num abraço envolvendo todo o corpo de Lia que vibrava. Seu sexo molhando, latejando... E nesse beijo, apertos e abraços, Lia foi levada para cama. Renata a deitou delicadamente e sem retirar as roupas de Lia, explorou todo o seu corpo com as mãos e boca e voltava a boca de Lia e beijava com desejo e fome. Lia inundava de tanto tesão. O sexo latejando cada vez mais e uma vontade louca de ser possuída, pegou a mão de Renata e levou ao decote, aos seus seios. O peito arfava, o sexo latejava, a vontade de ser possuída era enorme. Queria sua boca nos seus seios. Lia estava ofegante de tesão. Renata brincou um pouco passando os lábios delicadamente no colo de Lia e com um "Agora não." voltou a beijar-lhe os lábios enquanto comprimia seu corpo contra o corpo de Lia. Isso era uma tortura e fazia com que Lia ficasse mais e mais excitada. Novamente Lia pegou sua mão e colocou dentro do decote, fazendo com que Renata tocasse o seu seio. Renata não se demorou por lá. "Agora não.", disse mais uma vez. Lia quase enlouquecia de desejo, de vontade de ser possuída. Percebendo isto Renata mais e mais colocava as mãos nos seios de Lia e rapidamente retirava. Lia se contorcia de tanto tesão. Era enlouquecedor. Lia se contorcia de vontade de ter sua boca no seu sexo, nos seus seios, suas mãos, seus dedos. Quase não suportando mais, Lia pediu que ela o fizesse, mas..."Ainda não.", foi o que ouviu. O ventre de Lia doía de tanto desejo. Renata beijava a boca, o colo, levantou um pouco o vestido de Lia e beijou as pernas, os pés, as coxas. Lia abria as pernas e oferecia o sexo quente e a essa altura, encharcado de tesão. Renata passava muito levemente os lábios sobre a calcinha, a língua entre a coxa e a calcinha e... Só! "Ainda não." Apenas isso e isso deixava Lia cada vez mais excitada, seu ventre doía muito e seu sexo latejava mais e mais. Ficaram assim por um bom tempo. Lia apertava as coxas uma contra a outra, passava as mãos nos seios, procurava os mamilos e Renata retirava suas mãos de lá. Num ato rápido Renata libertava um seio de Lia de cada vez do sutiã, beijava delicadamente cada mamilo e então o guardava novamente enquanto a outra mão passeava sobre a calcinha fazendo leve pressão no sexo de Lia, exatamente sobre o clitóris. Lia estava muito excitada, seu sexo doía de tesão. Precisava de Renata dentro dela, queria a sua boca chupando, devorando, mordendo os seus mamilos, queria três dedos enterrados dentro da bucetinha, a sua língua passeando no clitóris, sua boca sugando-o, queria dois dedos no seu rabinho... Mas Renata ignorava os seus apelos, os apelos do seu corpo ansioso. Ela não tinha pressa alguma!
Darren
(continua...)
:: postado por darren as 11:45
Terça-feira, Agosto 5 ::
Submissão
Percebo dois tipos de submissos no mundo BDSM. Não estou falando dos jogos. Claro que estes podem ser os mesmos. Estou falando de postura, desejos e pensamentos com relação ao que "se sente" e "com quem se sente". Isso poderia ser dividido em duas categorias: submissão erótica, sexual puramente e submissão da alma. Acredito em duas vertentes: a busca pura e simples pelo prazer e o encontro de duas almas. A primeira condição, a da submissão erótica busca o BDSM sem o envolvimento emocional. É o prazer pelo prazer, deseja alguém forte e atraente que lhe mostre e proporcione todos os caminhos da submissão e/ou da dor e ao final da sessão cada um segue o seu caminho e se tiver que acontecer novamente pode até ser... Se não, tudo bem. A busca continua. Não necessariamente haverá rotatividade de parceiros. Pode até ser que ocorra esporadicamente com o mesmo parceiro. Mas a fómula será sempre a mesma: encontro/sessão/cada um para o seu lado. Este submisso pode até adimirar o seu Dono e Senhor. Ele adoro o modo pelo qual é subjugado, tomado. Pode até pensar num "duelo" imaginário com o seu Dono e Senhor, testar os limites desse Dono e Senhor. Na hora H se desmanchará em orgasmos ... Mas certamente mais cedo ou mais tarde encontrará um Senhor mais forte e o abandonará. Afinal o que importa é o prazer! Viva a carne!
A submissão da alma é uma necessidade para essa outra categoria. Esse submisso gosta de tudo isso: dos jogos eróticos, do prazer físico, mas... Busca um envolvimento emocional com o seu Dono e Senhor e o grau de envolvimento emocional acaba levando aos caminhos do BDSM. Este submisso serve ao seu Dono e Senhor, entrega a sua vida porque está em sua alma servir. E este servir é despertado por seu Dono e Senhor. Ele adoro o seu Dono e Senhor e vive para Ele e por Ele. O seu corpo é um altar sagrado que somente o seu Dono e Senhor pode tocar. E pode tudo! Esse submisso adora os orgasmos que seu Dono e Senhor lhe concede seja através da dor, humilhação ou o que for. Está pronto para ser doutrinado por seu Dono e Senhor. É romântico, sonha casar, cuidar, ser cuidado... Quer beijar na boca, quer ser abraçado, ninado. Quer namorar, ficar juntinho. Não quer somente jogos eróticos. Aceita os jogos BDSM puramente pela necessidade de servir ao seu Dono e Senhor e não apenas pelo jogo em si. Se não for com o meu Senhor não poderá ser com mais ninguém. Meu corpo é seu templo sagrado e apenas Ele poderá entrar. Existe muito carinho nas suas relações e muito respeito por aquilo que é sagrado: o seu próprio corpo. Até porque não pertence ao submisso mas ao seu Dono e Senhor. O Dono e Senhor desse submisso deve ser uam pessoa forte e gentil. Deve possuir doçura. Necessariamente deve possuir uma alma. Não trata o seu submisso como um objeto de prazer simplesmente. Trata-o como um ser único e especial. E como Dono e Senhor também lhe pertence. É um maravilhoso encontro de almas!
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Darren
:: postado por darren as 17:18